Kriszta Klement cresceu em Orosháza, Hungria, onde ela terminou o ensino médio com especialização em Hospitalidade. Logo depois de se formar, ela mudou para a capital Budapeste para trabalhar como garçonete. Nas noites que não estava trabalhando no restaurante, Kriszta cuidava de suas 3 crianças e ainda estudava programação. Agora, ela ensina crianças de 5 a 18 anos a programar robôs no Abacusan Studio.

Em nossa série “Histórias de Estudantes”, conversamos com estudantes que agora trabalham como desenvolvedores.

Eu moro aqui: Budapeste, Hungria
Eu trabalho aqui: Abacusan Studio
Eu estudei na CodeBerry por: aproximadamente 10 meses

Quando perguntam sobre sua profissão como programadora, o que você responde?

Eu faço parte de uma equipe que ensina programação para crianças de 5 a 18 anos e para os educadores que trabalham com elas. Com as crianças, nosso objetivo é despertar o interesse e mostrar como programar pode ser divertido. Também queremos acabar com o analfabetismo digital, ou seja, queremos que as crianças participem do lado criativo do mundo digital e se tornem mais que apenas usuários. Com os educadores isso significa uma integração extensiva de robótica/programação a matérias diferentes. Não só trabalhamos com professores da área de programação, mas também corremos atrás de parcerias com educadores de história ou literatura.

O você fazia antes de começar a programar?

Eu era a garçonete mais animada da vida. Meu trabalho era meu hobby — e continua assim com o trabalho atual. Bom, eu poderia dizer que até os 42 anos não trabalhei um só dia na minha vida, porque sempre gostei do que fiz. O que mais gosto no meu trabalho atual é que sempre posso aprender algo novo e me desenvolver pessoalmente. Minha coisa favorita no trabalho é que sempre que aprendo alguma coisa nova, posso compartilhar com outras pessoas quase na mesma hora.

Mesa da Kriszta

Por que você decidiu estudar desenvolvimento web?

Na verdade, foi minha filha de 9 anos e uma amiga dela que se interessaram por programação primeiro, e isso levou a gente até a Skool (uma organização húngara que oferece cursos gratuitos e inovadores em tecnologia para meninas jovens). Só depois de mais ou menos 1 ano e meio que me dei conta que programação talvez fosse para mim também. Tinha tudo o que estava procurando em uma nova carreira: a opção de trabalhar de casa, ser desafiada, horários flexíveis (dá para progredir bastante à noite :D), desenvolvimento e aprendizado contínuos, e novos contatos. Coisas que dá para fazer depois da aposentadoria. Foi aí que vi que precisava correr atrás da minha alfabetização digital.

Como você aprendeu programação? Usou algum curso, livro ou outros materiais?

Eu não diria que domino totalmente programação. Prefiro dizer que aprendi o básico e agora uso isso diariamente, com orientação e ajuda profissional. Meu primeiro contato de verdade com o mundo dos códigos foi através de um e-mail do Dániel Pasztuhov, sobre um curso de Java. Então fui atrás do livro sobre programação web do Gusztáv Nagy e também tive mentoria com ele via Skype. Como tenho três crianças, minha única opção era encontrar um modo de praticar de casa. O que mais gostei nesses cursos, e na CodeBerry em particular, é que você pode estudar e progredir durante à noite. Assim, durante o dia dá tempo de cuidar das crianças, fazer as tarefas e resolver outras coisas. Estudando na CodeBerry eu até consegui trabalhar de dia e controlar meu progresso. Sempre consegui aproveitar meu tempo livre para aprender o máximo que podia.

O que a CodeBerry te proporcionou? Como foi estudar na nossa escola?

Eu gostei muito da mentoria particular. Quando eu tinha qualquer dificuldade, recebia ajuda rapidinho e sabia que não estava sozinha. Normalmente, a Amanda (minha mentora) me dava muito mais que respostas prontas, ela tentava me colocar na direção certa com dicas, para eu descobrir o código por mim mesma. Amei como pude ver, de lição em lição, meu progresso e o próximo passo a seguir. O grupo de estudo virtual também foi muito ativo e foi onde encontrei meu outro mentor, que também ajudou bastante. Foi ótimo ver como todo mundo na comunidade está sempre animado, sem se preocupar em gastar o tempo livre para ajudar outras pessoas. Queria aproveitar para agradecer o Csaba Kapus novamente, por sempre responder minhas perguntas e me ensinar um monte de coisas práticas por pura boa vontade.

Você tem alguma experiência, dicas ou truques para compartilhar com quem está começando seus estudos agora?

Antes de tudo, se você alguma vez já pensou em programar super recomendo que dê uma chance. Você pode aprender o básico de programação de graça em alguns sites, em português e inglês, para ver se é que quer fazer. Depois de aprender o básico dá para continuar estudando programação num formato mais estruturado (por exemplo, numa escola online como essa). Muitas das coisas que gosto sobre programação web são as mesmas que eu gostava sobre ser garçonete: criatividade e a oportunidade de “servir”.

O “efeito multiplicador” das habilidades adquiridas também é fundamental. E vai continuar sendo enquanto o sistema educacional não incluir essa matéria no currículo. Eu dou meu melhor tentando convencer as pessoas no meu círculo a apresentarem esse mundo para as crianças para que elas não sejam apenas usuárias no mundo digital, mas também desenvolvedoras de jogos/aplicativos. Tendo filhas eu mesma, não posso deixar de ressaltar como essas habilidades são importantes para as meninas TAMBÉM! De primeira, até parece algo distante de design de moda, desenho, ou qualquer outra profissão criativa que as meninas prefiram. Mas acho que programação web é tão criativa quanto — falo por experiência própria!

Me conta um pouco sobre onde você trabalha agora e quais são suas tarefas. O que você faz num dia ou semana normal?

Falam que ter filhos é um verdadeiro desafio de logística (aulas, esportes, música, competições — vezes três) e é mesmo! Eu aproveito bastante essas habilidades aqui. Minhas responsabilidades no Studio são bem diversas. Além de ensinar crianças a usar os robôs japoneses ArTec, eu administro e trabalho na loja online da empresa. Além de ajudar meus chefes, às vezes também organizo a dispensa ou faço uma faxina. A coordenação e comunicação do programa de robótica Abacusan-GE, que é gratuito e está por todo o país, também é minha responsabilidade.

Essa profissão oferece várias oportunidades de trabalho voluntário, o que me inspira e renova as energias da equipe.

Quando temos um evento no fim de semana, normalmente consigo levar as crianças comigo. Durante a semana, como minha presença é mais requisitada em escolas, estou no escritório ou em alguma instituição durante o dia. E quando uma das minhas crianças precisa de mim para alguma coisa (uma consulta médica, não tem aula, precisam descansar), encontramos um jeito de eu ajudar de casa a qualquer momento.

Com quem você trabalha e como eles ajudam no seu trabalho?

Trabalho com os dois fundadores da empresa: Sára Sugár e István Büti. Eles ajudam tanto no meu desenvolvimento pessoal quanto no profissional, me orientando e apoiando. Isso me ajuda a dar o meu melhor no trabalho, sem negligenciar minha família.

Eu trabalho diretamente nas implementações (i.e. os robôs) com meu colega, Balázs Szandavári. Nós quatro trabalhamos juntos, e fazemos todo o treinamento e os programas escolares como uma equipe.

Nossa sala de aula

Com quais softwares, dispositivos, e tecnologias você trabalha?

Agora estou usando o software japonês Studuino, desenvolvido em cooperação pelo MIT americano e pela equipe japonesa do ArTec. É quase igual ao Scratch, mas é otimizado para robôs. E nesse ano, o Studuino vai se tornar compatível com o Micro:bit também. Essas são as plataformas mais simples de usar e, hoje em dia, são as mais comuns e eficientes na educação num nível internacional.

Por quanto tempo você procurou emprego? Foi difícil encontrar um?

Sou uma daquelas pessoas sortudas que recebeu uma ligação perguntando se por acaso estaria interessada numa vaga de emprego! Quando eu tive uns dias de folga do trabalho, aproveitar para levar minhas filhas pela primeira vez no Abacusan Studio. Deixei meu número lá para ser avisada sobre os próximos programas que eles organizassem. Pouco tempo depois me ligaram oferecendo um emprego. 😀

Você tem algum conselho para o pessoal que está se preparando para entrevistas de emprego?

Por estar envolvida com programas voluntários, pude visitar várias multinacionais. Pela minha experiência, pessoas motivadas — até mesmo no nível júnior — que são fluentes em inglês e que falam um idioma europeu regional são sempre bem-vindas, principalmente se falarem um segundo idioma regional.

Qual é o seu próximo passo? Que direção está tomando?

Agora estou trabalhando em introduções à ArTec Innovator Academy para crianças pequenas. Nós queremos atrair uma geração mais nova para a programação com essas introduções, algo que ninguém tentou fazer na Hungria ainda, e, por isso, vamos precisar aprender algumas coisas novas. Também estou trabalhando na localização de um programa japonês com base nas nossas experiências em sala de aula, com a orientação de Sára.

Em nossa série “Histórias de Estudantes”, conversamos com estudantes que agora trabalham como desenvolvedores.

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